Todo mundo compra a fala de que nós adolescentes temos que estudar, temos de estar sempre no colégio, mas os próprios se viram contra a gente.
Um dos melhores exemplos eu, aluna de ensino técnico, mostro: você chegou as sete no colégio e seis e vinte da noite está saindo, pega o ônibus de volta pra casa e na hora que vai se sentar (quando consegue um ônibus que esvazia que é quase impossível) começam a falar gracinhas ou fazer cara feia pra você. Ótimo, as pessoas podem até ser mais velhas, mas nós estudantes (ao menos no meu colégio) não temos condição nenhuma, se não tem aula, você que vá pra chuva ou para o Sol, sentar no chão mesmo, porque dentro da sala você não pode ficar e chega a hora de ir embora a gente só quer descansar as pernas, largar o peso em algum lugar, sei lá velho. Mas não você tem que dar lugar. Sinceramente? Eu não dou. Muita gente que está ali acordou umas sete horas, pra chegar no trabalho as nove e sair as seis. Eu acordo cinco e meia, pra já estar no colégio as sete. Tem ônibus que eu posso pegar seis horas da manhã que eu vou pegar lotado. Por que não posso sentar na volta? Valha-me Deus, pode me chamar de tudo, mas não dou lugar, que esperem um ônibus mais vazio!
Outro descaso muito grande é dentro do próprio colégio. Geralmente as paralizações não são aderidas por todos os professores, então, por exemplo, o das sete horas dá aula e depois só o de uma hora. E eles querem que nós estejamos lá no colégio! Eles não pensam que nós ficamos no Sol, na chuva, no vento, do jeito que for, a mercê do tempo, porque ELES estão lá na salinha deles, que até ar condicionado deve ter. Eles acham que nós não trazemos tarefas para casa e nem fazemos nada em casa, estamos sempre a disposição e temos saco de ficar horas e horas a toa no colégio.
Quando não vamos no dia da paralização depois os inspetores vêm de gracinha falando "ah, quem adere as paralizações são os alunos". Claro, vocês querem nos fazer de palhaços!
Na paralização de hoje, minha turma toda decidiu não ir. Já estou imaginando a trolha que vamos tomar, de algum professor ao menos, mas eu tenho coragem o suficiente de chegar lá e dizer o cacete a quatro, porque EU quero estudar, eu quero fazer algo de bom na minha vida, mas não sou palhaça de ficar no colégio esperando os professores que já tem a vida ganha quererem dar aula ou não. Queria ver se fizessem uma greve de alunos, da gente reinvindicando nossos direitos, QUERIA SÓ VER. Porque Grêmio né, não serve pra nada. Se fosse uma parada séria, eu até me envolvia, mas eu não sou do tipo que quer ser corrimão de escada, então prefiro ficar bem longe disso. Vão se foder professores, diretores e tudo o mais, prestem atenção que não são só vocês no mundo.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Descaso, pt. I
Fiquei indignada vendo o jornal. A matéria falava sobre a distribuição de comida que algumas entidades ou pessoas físicas mesmo fazem para moradores de rua. Algumas pessoas falaram que isso é errado, que é incentivar quem mora na rua. Ótimo, vamos pela lógica, é mais fácil conseguirmos comida para cem pessoas ou trabalho para cem pessoas? Caso não tenha se convencido, muitas pessoas que vivem na rua são humildes, tem baixa escolaridade, então o trabalho vai ter uma boa remuneração? A distribuição de comida, ao meu ver, é só para manter a dignidade dessas pessoas, que não tem onde morar, não tem condições... Porque tirar da rua é fácil, quero ver dar estrutura para eles.
Uma vez, meu pai estava no mercado e chegou um senhor humilde pedindo ajuda para comprar comida para a família, nem que fosse feijão e arroz, pois morava longe e estava aqui a trabalho e mesmo assim não conseguiu dinheiro. Meu pai foi com ele, comprou arroz, feijão, carne, macarrão e algumas outras coisas. Uso esse exemplo, pois o senhor trabalhava, tinha sua família, sua casa, mas não tinha condições de comer. Então, do que adianta a pessoa (não sei se é esse caso, mas suponhamos que seja) ser tirada da rua, conseguir uma casinha pra morar e depois não poder se manter? Vão falar que meu pai também estava acomodando o senhor? MEU DEUS, isso é um gesto de bondade.
Eu queria ver se fossem essas pessoas que morassem na rua, vamos ver se elas gostariam de ficar sem comer o sopão, que às vezes é a única refeição que os moradores de rua tem no dia.
Uma vez, meu pai estava no mercado e chegou um senhor humilde pedindo ajuda para comprar comida para a família, nem que fosse feijão e arroz, pois morava longe e estava aqui a trabalho e mesmo assim não conseguiu dinheiro. Meu pai foi com ele, comprou arroz, feijão, carne, macarrão e algumas outras coisas. Uso esse exemplo, pois o senhor trabalhava, tinha sua família, sua casa, mas não tinha condições de comer. Então, do que adianta a pessoa (não sei se é esse caso, mas suponhamos que seja) ser tirada da rua, conseguir uma casinha pra morar e depois não poder se manter? Vão falar que meu pai também estava acomodando o senhor? MEU DEUS, isso é um gesto de bondade.
Eu queria ver se fossem essas pessoas que morassem na rua, vamos ver se elas gostariam de ficar sem comer o sopão, que às vezes é a única refeição que os moradores de rua tem no dia.
Assinar:
Postagens (Atom)